terça-feira, abril 28, 2026
Rio Grande do NorteSaúde

Ciguatera: cinco pessoas da mesma família passam mal após consumo de peixe em Natal

Peixe frito que família comeu no almoço no domingo, em Natal — Foto: Reprodução/cedida ao g1 RN

Cinco pessoas da mesma família passaram mal no domingo (26), em Natal, após comerem um peixe do tipo bicuda no almoço. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) confirmou que os casos foram notificados como intoxicação por ciguatera na segunda-feira (28).

Três delas precisaram ser hospitalizadas após apresentarem sintomas variados e duas permaneciam na UTI até esta terça-feira (28), mas com quadros estáveis.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que investiga dois possíveis surtos na capital potiguar “com sintomas sugestivos de intoxicação por ciguatera, após consumo de peixe bicuda, com quatro hospitalizações”.

A pasta não confirmou se uma das investigações é em relação ao caso da família.

“As investigações têm como objetivo coletar informações necessárias ao controle do surto, identificar os agentes etiológicos, identificar a população de risco, fatores associados, provável fonte de contaminação e propor medidas de prevenção e controle. Além de fiscalizar toda a cadeia produtiva, desde o local onde foi preparado o pescado até onde ele foi comprado”, informou a pasta.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera.

A SMS orientou ainda que os consumidores adquiram pescados apenas em locais confiáveis e devidamente regularizados, evitando riscos à saúde.

Segundo a Sesap, em 2026 o Rio Grande do Norte recebeu notificação de 115 casos – entre casos suspeitos e confirmados – de ciguatera. Em 2025, ao todo, foram 90 confirmados.

O estado é o único no país a fazer a notificação compulsória em casos suspeitos de ciguatera.

“Esse fato contribui também para esse aumento de casos. A gente precisa entender que quanto mais informação é difundida, mais eu chamo a atenção para isso, e os profissionais de saúde ficam mais sensíveis também para possíveis intoxicações por ciguatera”, explicou a coordenadora de Vigilância em Saúde do RN, Diana Rêgo.

Família passa mal após almoço de domingo

O fisioterapeuta Mário Saraiva contou que a família comprou o peixe do tipo bicuda em uma feira livre no Alecrim, na Zona Leste de Natal, para fazer o almoço do domingo. Cerca de três horas depois de consumirem os alimentos, começaram a passar mal.

Os primeiros sintomas, contou, foram registrados no sobrinho-neto dele, de 3 anos.

“Ele começou a se queixar de dores abdominais e, pouco tempo depois, a minha irmã começou a ter a os mesmos sintomas”, contou.

Duas irmãs e a mãe dele, de 89 anos, precisaram ser hospitalizadas. Segundo Mário, os sintomas na irmã se agravaram de forma rápida.

“Levaram ela a um desmaio, queda de pressão, diarreia, vômito e esses sinais fizeram com que ela tivesse 4 por 2 de pressão e uma convulsão”, relatou. Após o susto, Mário falou que a situação da irmã foi estabilizada.

A outra parte do peixe comprado na feira foi recolhida e levada para ser examinada pelas autoridades sanitárias.

Fonte: Portal g1 RN

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