quinta-feira, junho 11, 2026
Rio Grande do Norte

Em entrevista, presidente do Grupo Favoritos diz que não vê dificuldade no setor de alimentos

Foto: Divulgação/Reprodução

Venício Gama Pacheco, 63 anos, não vê dificuldade no setor de alimentos. “O cenário macro às vezes prejudica, mas não é razão de desistir, de recuar”, afirma o empreendedor da rede de supermercados Favorito, que completa, agora em 2023, 15 anos. Desde sempre, o empresário macaibense conviveu com o varejo. Primeiro, ajudando o pai na banca da feira livre da cidade. Depois, resolveu incrementar a renda da família vendendo ovos nas cidades vizinhas. De lá para cá, abriu vários negócios, entre eles, o Supermercado Gama, antecessor da rede Favorito. A empresa hoje vive um momento de expansão, marcando a entrada para o setor de atacarejo e foco numa clientela mais “prime”. A seguir, o varejista conta um pouco da sua trajetória e os planos para o futuro.

O varejo foi uma escolha ou uma contingência?

Eu comecei ainda criança, ajudando meu pai na feira, ele vendia temperos e verduras. Depois, passamos também a distribuir ovos nas mercearias da cidade de Macaíba. A gente levava de ponto em ponto nas mãos mesmo, depois numa bicicleta e, aos 18 anos, resolvi junto com meu irmão comprar uma Kombi. A gente fazia a rota em Nova Cruz, Santo Antônio do Salto da Onça, São José de Mipibu, Parnamirim, Várzea e Espírito Santo, além de Macaíba. Meu pai confiava muito em mim, eu sou o filho do meio de nove irmãos. Depois que ele adoeceu, passei a comandar os negócios, aos 22 anos. Então, adicionei novos produtos na distribuição: açúcar, sabão, farinha, etc. E guardava o estoque da mercadoria no meu quarto. Pedi à minha mãe para comprar um cilindro de padaria e fizemos um forno de barro para produzir pão. Em casa mesmo a gente misturava a massa e modelava. Foi um sucesso tão grande que o pessoal fazia fila pra comprar. A gente passava a noite produzindo pão pra vender no outro dia e abatendo frango, que resolvemos criar. Então, uma coisa foi levando à outra.

E quando tudo isso passou a ser supermercado?

Em 1984, quando compramos um imóvel. O ponto era bom e aí apareceram os fornecedores e passamos a vender outras mercadorias. Em 1987, nós já estávamos com a característica de mercadinho, mas já abrimos como Supermercado Gama. Era um mercadinho para a gente se dizia supermercado. Sempre pensamos grande. Em 1990, eu já estava praticamente noivo e dividimos os negócios na família. Uma irmã ficou com o mercadinho de Parnamirim, outro ficou com a padaria e eu com um mercadinho de Macaíba, foi aí que comecei a carreira solo. Em 1992 casei e passamos a fazer aquisição de supermercados. No centro de Macaíba tinha uns seis grandes supermercados e nós no meio com uma loja. Em 1993 já tínhamos três lojas em Macaíba e já liderando o mercado local. E em 1994 a gente quebrou.

O que aconteceu?

Foi a época do Plano Real. Antes, a gente comprava a mercadoria por 10 e vendia por 9 e ganhava bastante dinheiro. Isso aos olhos da Matemática pode parecer confuso, mas era a ciranda financeira. Ao meio-dia, a gente contava até as moedas e levava para o banco, porque se ficasse no caixa perdia dinheiro, a inflação chegava a 70% ao mês. Então, o que valia hoje, no mês seguinte só valia metade. Eu comprava a mercadoria com 30 dias para pagar, vendia abaixo do preço que pagava, aplicava e ainda ganhava dinheiro com isso. Quando chegou a estabilidade, a gente se perdeu, entrou numa crise muito grande e tivemos que fechar todas as lojas, na época quatro: uma em Natal e três em Macaíba. Só continuamos com o Gaminha em Macaíba, sem carro, sem crédito, devendo a fornecedores. Conversamos com cada um deles, tentando renegociar a dívida, e tomava carro emprestado de irmão, de irmã, tomava cheque emprestado e passamos um ano e meio para minimizar a crise.

Qual foi a estratégia para sair dessa crise?

Arregaçar as mangas e trabalhar 24 horas dentro do negócio, focado. Era 100% dedicado, de domingo a domingo, e honrando todos os compromissos que tínhamos negociado.

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Fonte: Tribuna do Norte

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