Em entrevista, presidente do Grupo Favoritos diz que não vê dificuldade no setor de alimentos

Venício Gama Pacheco, 63 anos, não vê dificuldade no setor de alimentos. “O cenário macro às vezes prejudica, mas não é razão de desistir, de recuar”, afirma o empreendedor da rede de supermercados Favorito, que completa, agora em 2023, 15 anos. Desde sempre, o empresário macaibense conviveu com o varejo. Primeiro, ajudando o pai na banca da feira livre da cidade. Depois, resolveu incrementar a renda da família vendendo ovos nas cidades vizinhas. De lá para cá, abriu vários negócios, entre eles, o Supermercado Gama, antecessor da rede Favorito. A empresa hoje vive um momento de expansão, marcando a entrada para o setor de atacarejo e foco numa clientela mais “prime”. A seguir, o varejista conta um pouco da sua trajetória e os planos para o futuro.
O varejo foi uma escolha ou uma contingência?
Eu comecei ainda criança, ajudando meu pai na feira, ele vendia temperos e verduras. Depois, passamos também a distribuir ovos nas mercearias da cidade de Macaíba. A gente levava de ponto em ponto nas mãos mesmo, depois numa bicicleta e, aos 18 anos, resolvi junto com meu irmão comprar uma Kombi. A gente fazia a rota em Nova Cruz, Santo Antônio do Salto da Onça, São José de Mipibu, Parnamirim, Várzea e Espírito Santo, além de Macaíba. Meu pai confiava muito em mim, eu sou o filho do meio de nove irmãos. Depois que ele adoeceu, passei a comandar os negócios, aos 22 anos. Então, adicionei novos produtos na distribuição: açúcar, sabão, farinha, etc. E guardava o estoque da mercadoria no meu quarto. Pedi à minha mãe para comprar um cilindro de padaria e fizemos um forno de barro para produzir pão. Em casa mesmo a gente misturava a massa e modelava. Foi um sucesso tão grande que o pessoal fazia fila pra comprar. A gente passava a noite produzindo pão pra vender no outro dia e abatendo frango, que resolvemos criar. Então, uma coisa foi levando à outra.
E quando tudo isso passou a ser supermercado?
Em 1984, quando compramos um imóvel. O ponto era bom e aí apareceram os fornecedores e passamos a vender outras mercadorias. Em 1987, nós já estávamos com a característica de mercadinho, mas já abrimos como Supermercado Gama. Era um mercadinho para a gente se dizia supermercado. Sempre pensamos grande. Em 1990, eu já estava praticamente noivo e dividimos os negócios na família. Uma irmã ficou com o mercadinho de Parnamirim, outro ficou com a padaria e eu com um mercadinho de Macaíba, foi aí que comecei a carreira solo. Em 1992 casei e passamos a fazer aquisição de supermercados. No centro de Macaíba tinha uns seis grandes supermercados e nós no meio com uma loja. Em 1993 já tínhamos três lojas em Macaíba e já liderando o mercado local. E em 1994 a gente quebrou.
O que aconteceu?
Foi a época do Plano Real. Antes, a gente comprava a mercadoria por 10 e vendia por 9 e ganhava bastante dinheiro. Isso aos olhos da Matemática pode parecer confuso, mas era a ciranda financeira. Ao meio-dia, a gente contava até as moedas e levava para o banco, porque se ficasse no caixa perdia dinheiro, a inflação chegava a 70% ao mês. Então, o que valia hoje, no mês seguinte só valia metade. Eu comprava a mercadoria com 30 dias para pagar, vendia abaixo do preço que pagava, aplicava e ainda ganhava dinheiro com isso. Quando chegou a estabilidade, a gente se perdeu, entrou numa crise muito grande e tivemos que fechar todas as lojas, na época quatro: uma em Natal e três em Macaíba. Só continuamos com o Gaminha em Macaíba, sem carro, sem crédito, devendo a fornecedores. Conversamos com cada um deles, tentando renegociar a dívida, e tomava carro emprestado de irmão, de irmã, tomava cheque emprestado e passamos um ano e meio para minimizar a crise.
Qual foi a estratégia para sair dessa crise?
Arregaçar as mangas e trabalhar 24 horas dentro do negócio, focado. Era 100% dedicado, de domingo a domingo, e honrando todos os compromissos que tínhamos negociado.
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Fonte: Tribuna do Norte
