Cachorro morre no interior do RN durante queima de fogos em jogo do Brasil

Nick, um cachorro da raça shih tzu de 1 ano e 7 meses, morreu na tarde de segunda-feira (29), durante a queima de fogos de artifício após o gol de empate do Brasil com o Japão na Copa do Mundo. O caso aconteceu em Pedro Velho, no interior do Rio Grande do Norte.
A tutora do animal, a funcionária pública Larissa Almeida, de 33 anos, diz que o cachorro passou mal devido ao susto provocado pelo barulho dos fogos e das bombas juninas. Ela conta que tomou cuidados, mas se surpreendeu com a quantidade e a intensidade dos fogos.
Larissa conta que decidiu assistir ao primeiro tempo na casa de uma tia, onde havia outros animais e menos barulho. Após o gol do Japão, voltou para casa com o cachorro. “Fiquei com raiva do gol do Japão e voltei para casa”, diz.
Pouco depois, enquanto preparava um chá, colocou Nick no chão, próximo à porta de casa, onde ele costumava ficar.
“Ele gostava muito do vento, de ficar na porta. Estava fazendo um chá na cozinha e ele na sala. Foi nesse momento o Brasil empatou. Soltaram fogos e ele se assustou muito”, lembra.
Após o barulho, Larissa foi ao encontro de Nick, que já começou a se tremer. “Foi tudo muito rápido, ele perdeu a coordenação, não ficava em pé, ficou se debatendo no chão e começou a convulsionar e se urinou. Nesse momento eu soube que ia perdê-lo”, relata.
A funcionária pública afirma que tentou reanimar o cachorro com massagem cardíaca e respiração boca a boca, mas ele não resistiu. “Foi desesperador, pensava na minha filha, que é muito apegada a ele. Que isso possa ajudar as pessoas a se conscientizarem. É muito triste”.
Como os fogos afetam os pets
A médica veterinária Layza Guedes explica que o barulho intenso dos fogos pode provocar medo e estresse nos cães. Embora também possam afetar gatos, os estampidos costumam provocar reações mais frequentes em cães, independentemente da raça ou do porte.
“É possível que um animal saudável tenha uma convulsão por causa de fogos de artifício, mas não é comum. O barulho pode causar um nível muito alto de estresse e medo e, em alguns cães, isso pode desencadear uma convulsão”, explicou.
Segundo a veterinária, alguns animais podem ter predisposição para esse tipo de reação, mesmo sem um diagnóstico prévio.
Ela orienta que, em dias de festas juninas, Copa do Mundo ou outras ocasiões com fogos, os tutores mantenham os animais em ambientes protegidos.
“O ideal é manter o cão em um local seguro, longe de locais onde ele possa se machucar. Pode ser um quarto mais isolado, existem músicas que funcionam quase como uma terapia e ajuda no relaxamento”.
Caso o animal apresente tremores, convulsões ou qualquer alteração após um episódio de estresse intenso, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente.
Como proteger os pets dos fogos
O barulho e as luzes dos fogos de artifício podem causar medo, estresse e ansiedade em cães e gatos. Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Norte (CRMV-RN), os animais têm audição e visão mais sensíveis que as dos seres humanos, o que faz com que percebam os estímulos de forma muito mais intensa.
Veja algumas orientações do CRMV-RN:
Prepare um ambiente seguro: deixe o pet em um cômodo fechado, com portas e janelas fechadas, com cobertores ou almofadas para que ele possa se esconder e se sentir protegido.
Reduza o barulho: ligar a televisão, um ventilador ou colocar uma música em volume moderado pode ajudar a abafar o som dos fogos.
Distraia o animal: brinquedos interativos e petiscos podem ajudar a desviar a atenção do barulho e tornar o momento menos estressante.
Observe os sinais de medo: tremores, respiração acelerada, tentativas de fuga e de se esconder podem indicar que o animal está sofrendo com o barulho.
Mantenha a calma: evite brigar ou repreender o pet por estar assustado. O ideal é transmitir tranquilidade e oferecer carinho.
Procure um veterinário se necessário: alguns animais podem apresentar crises intensas de ansiedade ou até se machucar tentando fugir.
Nesses casos, a orientação é buscar atendimento e avaliar, previamente, estratégias específicas para reduzir o estresse em dias com previsão de fogos.
g1 RN
