Escola Agrícola da UFRN desenvolve projeto que promove a utilização sustentável de resíduos de camarão em Pajuçara

Fotos: Dorinha (2018)/Nicácio (2020)

Coordenado pela professora Cibele Soares Pontes, o projeto de extensão Utilização sustentável de resíduos da filetagem de camarão, vinculado ao programa Ações para o Desenvolvimento Rural Sustentável – AGROJundiaí, tem como objetivo o aproveitamento dos resíduos da filetagem de camarão, fazendo com que deixem de ser um problema ambiental em Pajuçara, distrito de São Gonçalo do Amarante. A comunidade tem a pesca como atividade econômica e geração de renda, sendo a filetagem de camarão um destaque no local. Fazer com que esses resíduos passem a ser utilizados como uma nova fonte de renda é um dos objetivos dessa atividade de extensão.

O projeto dá continuidade ao trabalho realizado pelo projeto de pesquisa intitulado Diagnóstico Socioambiental e a Avaliação do Impacto Ambiental numa Comunidade Pesqueira, que foi coordenado pelo professor Fábio Magno e teve colaboração da estudante Jocinara Nicácio. E agora, ambos fazem parte das novas atividades que serão feitas. E esta ação de extensão faz parte do desenvolvimento de projeto de pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvido pela aluna Fabiana Borges, no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA UFRN).

Esse projeto, que surgiu a partir de trabalhos de conclusão de curso de alunas de Aquicultura e Agroindústria da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ-UFRN), é interdisciplinar e envolve sustentabilidade, analisando os aspectos sociais, ambientais e econômicos. O intuito de promover atividades que possibilitem os moradores a enxergarem a utilização dos resíduos da filetagem de camarão como uma fonte de renda faz com que eles obtenham conhecimento sobre o aproveitamento desses resíduos, trazendo também a conscientização sobre responsabilidade ambiental. Além de promover a proteção do estuário presente no distrito.

Acerca da importância do projeto, a professora disserta sobre a carcinicultura e a preocupação com a sustentabilidade. “A carcinicultura desenvolvida hoje no Estado do Rio Grande do Norte ocupa o primeiro lugar na produção de camarão no Brasil. Entretanto, seu crescimento desordenado muitas vezes pode gerar diversos impactos indesejáveis ao meio ambiente, sendo um desses gargalos o descarte dos rejeitos gerados após a retirada do filé de camarão. O setor da carcinicultura tem mostrado maior preocupação com a sustentabilidade e, por isso, cada vez mais o tema aparece na agenda de inovação, na busca de processos, produtos e serviços novos ou mais sustentáveis para garantir a segurança e a redução de impactos ambientais. Esperamos impactar positivamente a comunidade à medida que as etapas do projeto sejam completadas”, explica. E a docente ainda fala sobre a importância de vincular o projeto ao programa AGROJundiaí. “Reforçar o papel indissociável que a Universidade pública brasileira deve ter de aliar o ensino, a pesquisa e a extensão”, afirma.

Sobre a participação das estudantes que fazem parte do projeto atualmente, a coordenadora comenta que elas colaboram em todas as etapas. “As alunas realizam reuniões semanais para organizar o cronograma de atividades que serão desenvolvidas e discutem as pautas para divulgação na página criada no Instagram. Uma das bolsistas, que é de Pajuçara, realiza relatórios periódicos sobre a problemática na perspectiva pessoal. Esses relatórios direcionaram a elaboração dos questionários que serão utilizados para avaliação da percepção ambiental da comunidade”, diz. E acerca da aplicação dos questionários, ela explica: “Por meio de questionários semiestruturados e baseados na análise de conteúdo da Laurence Bardin. Sempre que possível serão utilizados recursos tecnológicos que permitam coletar e repassar informações sem necessariamente ser de forma presencial. Os questionários semiestruturados podem ser com a utilização do Google Forms e as rodas de conversa podem utilizar Google Meet”.

O projeto também pretende elaborar um biscoito salgado no sabor camarão. A elaboração seguirá todos os protocolos necessários, priorizando questões de ética e de segurança alimentar. Esse produto será desenvolvido no Laboratório do Pescado da EAJ-UFRN e as análises sensoriais e de intenção de compra, que vão utilizar testes de aceitação global e escala hedônica (de até 9 pontos com variação de “gostei extremamente” a “desgostei extremamente”), serão realizadas no Laboratório de Análise Sensorial do Departamento de Nutrição da UFRN. Já nas análises físico-químicas, que envolvem umidade, cinzas ou resíduo mineral, lipídeos, proteínas, fibras e carboidratos, serão utilizados procedimentos analíticos e pretende-se que sejam realizadas no Laboratório de Bromatologia do Departamento de Farmácia da UFRN.

Entre os resultados, Cibele fala que é esperado o fortalecimento da consciência ambiental dos moradores e a realização de experiências na área da Aquicultura ou da Carcinicultura. “Fortalecer a consciência ambiental dos moradores, propiciando-lhes oportunidades reveladoras do papel do meio ambiente saudável na qualidade de vida da comunidade. A ideia seria trazer experiências exitosas, de forma remota, na área de Aquicultura ou Carcinicultura, para servirem de motivação ao trabalho que se deseja desenvolver, por meio de oficina e roda de conversa, utilizando plataformas como o Google Meet”, comenta. Além disso, dentre os resultados esperados, está a ampliação de conhecimento sobre aproveitamento integral de camarão das filetadeiras, também por meio de palestras, rodas de conversas e oficinas.

Também é de objetivo do projeto a elaboração de cartilha acessível para a comunidade com instruções com relação ao aproveitamento dos resíduos da filetagem e conservação, através de boas práticas de manejo. A publicação de artigo de divulgação científico-tecnológico em jornal ou revista, o fornecimento de subsídios para obtenção de parcerias duradouras tanto com o setor público quanto com o privado e mostrar para a comunidade os resultados obtidos, também fazem parte da perspectiva do futuro do projeto.

Comunicação EAJ

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