Pesquisadores da UFRN desenvolvem ferramenta para monitorar proteção do idoso na Coivid-19

Enoleide Farias de Agecom

Países de todos os continentes vêm utilizando o distanciamento social como instrumento de controle do coronavírus e, mesmo naqueles onde a Covid-19 só foi registrada nos últimos 90 dias, a medida passou a ser adotada em larga escala. É o caso do Brasil, onde o primeiro caso foi confirmado apenas em fevereiro, mas que, por recomendação do Ministério da Saúde, um mês depois o isolamento foi adotado como uma das forma de controle da pandemia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar dos esforços, o número de pessoas infectadas segue aumentando e as estatísticas demonstram que a taxa de mortalidade entre as pessoas idosas é a mais elevada quando comparada com outras faixas etárias. Além disso, o monitoramento mostra que entre a população idosa a taxa de mortalidade é ainda mais elevada entre os mais longevos, pessoas com idade igual ou superior a 75 anos.

A partir desses dados e das recomendações do distanciamento social, pesquisadores da UFRN apontam a necessidade de orientar, também, para as ações de proteção ao idoso em suas famílias e domicílios. Esses pesquisadores desenvolveram uma Ferramenta de Monitoramento para famílias, equipes da Atenção Primária em Saúde (APS) e gestores, com o objetivo de contribuir para a proteção ao idoso domiciliado do contágio pela Covid-19, e de viabilizar ações de prevenção, suporte e controle de enfermidades.

Sobre a Ferramenta de Monitoramento

Apresentada sob a forma de questionário, a Ferramenta de Monitoramento para Famílias, Equipes da Atenção Primária e Gestores desenvolvida pelos pesquisadores da UFRN avalia aspectos como: Os cuidados no âmbito da saúde por meio das ações dos agentes: Família/cuidador; Equipe Saúde da Família/Atenção Primária em Saúde e Núcleo de Apoio a Saúde da Família (ESF/APS/NASF), a atuação dos Gestores do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipal de Saúde e Ministério da Saúde(CONASS/CONASSEMS/MS); e a Intersetorialidade na Pandemia; com o objetivo de elencar os principais cuidados da agenda nacional e das políticas públicas no que diz respeito à alimentação, água, geração de renda etc. A pesquisa inclui, entre outras questões:

. Como a família deve proceder?

. Que tarefas devem cumprir os Serviços de Saúde e gestores, para colaborar com a proteção aos idosos no domicílio?

. Como está se dando o suporte e a proteção aos idosos residentes em Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs)?

. Como verificar, monitorar e mensurar a eficácia da aplicação dessas ações?

Na esfera pública também são analisadas aspectos como o apoio do poder público ao idoso, a gestão da Saúde e da Assistência Social no plano municipal, entre outros.

Com a aplicação da Ferramenta, os objetivos principais são: diminuir a morbimortalidade do idoso durante a pandemia, reduzir a sobrecarga dos serviços de saúde, reduzir a letalidade geral da doença, colaborar na identificação de casos suspeitos e a recomendação da intensificação de ações colaborativas no que se refere a proteção ao idoso e o controle do vírus.

A utilização da Ferramenta, segundo o grupo de pesquisadores, possibilitará o mapeamento das forças e fragilidades na gestão do cuidado do idoso e será um guia para as ações da Atenção Primária em Saúde (APS), o que pode se traduzir num monitoramento importante para evitar internamentos e óbitos.

O grupo é formado pelos pesquisadores Ion Garcia Mascarenhas de Andrade, Nadja Dantas Rocha, Vilani de Araújo Nunes, Severina Alice Uchoa, Paulo de Medeiros Rocha, Kenio Costa Lima, Lyane Ramalho.

A Covid entre a população idosa no Brasil

Em artigo publicado sob o título Proteção domiciliar dos idosos sob o Distanciamento Social no contexto da Covid 19, disponível neste endereço, os pesquisadores da UFRN destacam que o atendimento ao idoso deve ser feito “preferencialmente em domicílios”, e visto que frequentemente essas pessoas são assistidas por “cuidadores e profissionais de saúde, em especial pelas equipes de saúde da Atenção Primária em Saúde (APS)”, devem, esses profissionais, “dar uma atenção especial ao fortalecimento dos cuidados domiciliares”.

A publicação revela que na pirâmide etária brasileira de 2019, cerca de 13,8% da população tinha idade superior a 60 anos e que, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), de todos os óbitos registrados em 28 de março de 2020, 79,4% ocorreram em pessoas com idade superior a 60 anos. Além disso, na mesma data de 28 de março, 52% dos internamentos ocorreram em pessoas com mais de 60 anos, demonstrando que os internamentos dos idosos evoluem mais facilmente para o óbito do que os internamentos de pessoas mais jovens.

Afirmam os pesquisadores que, com base nos dados apresentados, “cada ponto percentual da população de idosos protegidos da doença no contexto dos seus domicílios e sob isolamento social representará uma mortalidade 5,75% menor para o coronavírus”, e que, portanto, a proteção individual do idoso do contágio contribui para reduzir o número de óbitos.

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