Pesquisadores da UFRN usam microalgas na fabricação de materiais como sacolas plásticas

Que tal usar microalgas para reduzir a emissão dos gases de efeito estufa na fabricação de itens como sacolas plásticas? Pode parecer inusitado, mas este é o resultado de mais uma pesquisa dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cujo título é: um filamento para impressão 3D sustentável com capacidade de captura de carbono. Um dos inventores envolvidos no desenvolvimento da invenção, Isaac de Santana Bezerra pontua que o material criado é voltado para produção de artigos ecológicos por impressão 3D, com uma redução da emissão de gases em até 40% em cada produto produzido.
“A redução da emissão de gases de efeito estufa é decorrente da capacidade de captura de carbono das microalgas, que, quando associadas ao seu grande volume disponível e baixo custo, permitem ainda a redução do custo final dos produtos fabricados”, descreve o doutorando no Programa de Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM). O baixo custo é um dos atrativos, situação alcançada em virtude do grande volume disponível de microalgas, associado à capacidade de captura de carbono, o que torna o filamento desenvolvido uma adição diferenciada ao campo dos materiais amigáveis à natureza.
Este é um aspecto importante no contexto, já que a indústria de polímeros sintéticos advindos do petróleo envolve desde a extração dos insumos primários até a obtenção do produto final. Nesse processo, ocorre a liberação massiva de carbono, que impacta negativamente nos ecossistemas da Terra, situação que, tomando a sustentabilidade como ingrediente relevante, faz com que o uso de agentes atenuadores desse impacto, como as microalgas, seja proeminente e um fator capaz de obter o “zero nível” de carbono gerado no processo produtivo.
Entusiasta das pesquisas na área, Graco Aurelio Câmara de Melo Viana, professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, explicita que elas são relevantes agentes biológicos com alta capacidade de captura de carbono. Para além disso, o docente complementa que há projetos em escala piloto e pesquisas que mostram a aplicação de microalgas para a obtenção de biocombustíveis e na incorporação em cimentos. Existem ainda exemplos de aplicações para a formulação de artigos têxteis elastoméricos.
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Wilson Galvão – AGIR/UFRN
