Rio Grande do Norte registra 13 casos de H3N2 este mês

O Rio Grande do Norte registrou, na primeira quinzena deste mês, 13 casos de gripe provocados pela Influenza H3N2, linhagem que tem sido responsável por surtos da doença em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. O número registrado no RN neste mês corresponde a 37% de todas as notificações de 2020, quando o Estado contabilizou 35 casos de Influenza. Os dados são da Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN).
Segundo informações divulgadas pela Fiocruz no começo do mês, o Rio Grande do Norte apresenta alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), com um crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas antes do período entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro). Além disso, o RN apresentava sinal de crescimento na tendência de curto prazo (três semanas antes do período analisado).
O motorista por aplicativo, Itamar Nunes, de 57 anos, acaba de se recuperar de uma gripe que durou pouco mais de 15 dias. “Tive garganta inflamada e uma febre leve e passageira. Nada que me levasse para o hospital”, conta ele que é fumante há mais de 40 anos. “Desde que fiquei gripado, não tenho fumado. Vou ver se consigo segurar a peteca e parar de vez”, aposta o motorista.
O médico infectologista André Prudente, afirmou que os registros deste mês de dezembro significam que é preciso ficar atento ao que acontece no nosso meio, mas lembra que o H3N2 era a cepa que predominava no mundo antes da pandemia de H1N1, em 2009. “Essa linhagem nunca desapareceu. E os casos aqui no Rio Grande do Norte, certamente, são bem maiores do que os registrados. O que as pessoas têm que fazer é procurar a vacinação”, indica.
O Estado atingiu a marca de 75% do público-alvo imunizado contra a Influenza, de acordo com a plataforma RN + Vacina. Em Natal, segundo a ferramenta, o índice é de 53%. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS/Natal) rebateu o dado, mas não informou qual seria o percentual correto. “Não confirmamos esse dado, pois a queixa das unidades é que o sistema RN + Vacina não consolida as doses digitadas”, disse em pasta.
População deve procurar vacina
A subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Diana Rêgo, disse que a pasta pretende chegar ao final de dezembro com 80% do público-alvo vacinado contra a Inluenza no Rio Grande do Norte. Antes, a própria Sesap havia encaminhado um comunicado à TRIBUNA DO NORTE afirmando que “o RN chegou perto de bater a meta” preconizada pelo Ministério da Saúde, que é de 90%. Porém, disse a pasta, “a situação atual, envolve também a campanha de vacinação contra a covid-19, o que dificultou para que se chegasse ao objetivo, pois as pessoas estão priorizando a vacinação contra a covid”.
A imunização contra a gripe segue, portanto, nos municípios potiguares, conforme informou a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap. “ Esta semana nós enviamos mais de 100 mil doses para os municípios”, afirma Diana Rêgo.
Questionada se a vacina atual perdeu eficácia em relação à linhagem em circulação de H3N2, a subcoordenadora da Sesap explica que a resposta do imunizante oferece uma baixa na resposta, mas que ainda assim, protege contra a cepa.
A nova vacina, que será disponibilizada pelo Ministério da Saúde no próximo ano, deverá vir com maior especificidade para alterações na linhagem, segundo os especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE.
Mas a população não deve esperar que o novo imunizante chegue para se proteger. O ideal é que as pessoas que ainda não se vacinaram este ano, busquem fazê-lo o quanto antes.
“A vacina que nós temos hoje é trivalente e protege contra a H1N1, H3N2 e Inluenza B. Ela tem uma resposta, mas que não é de 100% de eficácia. Por isso, precisa passar por uma atualização. Mas pessoas devem buscar rapidamente a vacina, que está disponível para pessoas a partir dos seis meses de idade”, orienta.
O infectologista André Prudente, concorda: “Há uma pequena variação no H3N2, por isso, a eficácia da vacina aplicada este ano fica um pouco reduzida. Porém, o ideal é que todo mundo se vacine o quanto antes. Mesmo a eficácia que tenha diminuído, ela vai proteger muita gente” explica.
Além da vacinação, outras ações podem ajudar a impedir a disseminação do vírus Inluenza, conforme esclarece Diana Rêgo, da Sesap. “As medidas para evitar a contaminação pelo vírus da gripe se assemelham àquelas adotadas para prevenção da covid-19: uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento. E é importante as pessoas buscarem sempre ambientes ventilados”, indica.
Em nota divulgada à imprensa, a Sesap fez um alerta à população potiguar acerca dos riscos de contaminação do vírus da Influenza em todo o Estado. Leia na íntegra:
“A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) alerta à população para o aumento de síndromes gripais com maior circulação de vírus respiratórios (Influenza) no estado do Rio Grande do Norte.
A Sesap reforça a necessidade da imunização com as vacinas contra a Covid-19 e a Influenza, disponíveis em todos os municípios. O estado distribuiu 200 mil doses da vacina contra a Influenza na segunda-feira (13) para reforçar o trabalho de imunização dos potiguares.
Além disso, se faz necessário ainda manter todos os cuidados não farmacológicos, como o uso correto da máscara em locais abertos e fechados, a higienização das mãos e o uso do álcool 70.
Até o momento, foram identificadas 93 casos de Influenza A e 37 casos de H2N3, investigadas através do Laboratório Central (LACEN). Além disso, foi detectado ainda o primeiro caso de co-infecção entre Influenza e Covid-19.”
Tribuna do Norte

