Rogério Marinho: sem reforma haverá “completa exaustão do governo”

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou esta sexta-feira (15) que pelo grau de deterioração das contas públicas, se não houver reforma agora, haverá “uma completa exaustão do governo para resolver as questões da sociedade”.

Segundo ele, apenas 3,3% dos recursos são discricionários para investir no país em 2019. “Nunca antes houve uma situação como esta no Orçamento brasileiro, e é gradativa, o que quer dizer que no próximo ano, se nada for feito com o déficit previdenciário, vamos ter que tomar mais ainda dinheiro no mercado financeiro, e esse recurso pressiona o Orçamento”, explicou.

A declaração foi dada após ele participar de um seminário promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O secretário acredita que hoje existe uma maturidade maior na sociedade brasileira, refletida no novo Congresso e nos governadores eleitos.

Segundo ele, isso permite esperar uma tramitação normal do projeto de reforma da Previdência. Rogério Marinho, que é ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte, disse que é legítimo o Congresso querer aperfeiçoar o projeto entregue pelo governo, e que é normal utilizar o Orçamento “como inflexão política”.

“Hoje inclusive os jornais noticiam uma reunião que ocorreu com governadores do Nordeste, que majoritariamente são de oposição, onde eles se dispõem a conversar em relação à reforma que é uma mudança extremamente salutar nesse processo de aprovação da nova Previdência”, afirmou Marinho.

O secretário referia-se ao encontro da quinta-feira (14), em São Luís, quando nove governos do Nordeste defenderam o diálogo pela reforma da previdência, mas apontaram críticas a dispositivos específicos dentro da proposta.

Marinho defendeu que apesar de o governo acenar com uma nova maneira de negociar com os parlamentares e governadores é perfeitamente aceitável que se utilize o Orçamento para conseguir a adesão de políticos.

“É normal em qualquer parte do mundo a utilização do Orçamento como inflexão de políticas públicas do governo que está comandando o País. Essa interlocução política está sendo feita, a base está se formando, e eu acredito firmemente que durante o período de tramitação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, essa base estará formatada e dará segurança para aprovar o projeto”, finalizou.

O secretário especial voltou a afirmar que o projeto apresentado pelo governo é o mais justo possível e que visa acabar com os privilégios que vêm sendo concedidos há anos. Segundo ele, todos os membros da sociedade irão participar e que durante as audiências públicas o processo ficará ainda mais transparente para a sociedade, principalmente quando houver qualquer mudança no projeto original.

Estadão Conteúdo

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