Estudantes de Gestão Ambiental estudam o uso da fibra do coco na construção civil

Os dias cada vez mais quentes podem até ser desconfortáveis para a maior parte das pessoas, mas o calor excessivo é a temperatura ideal para um setor em específico: o da Agroindústria do Coco. Além do consumo in natura, o coco é utilizado em receitas culinárias, na produção de cosméticos e de produtos de limpeza, totalizando uma produção de aproximadamente 2 bilhões de cocos verdes e secos por ano, segundo o Sindicato Nacional dos Produtores de Coco (Sindcoco).

Os números, apesar de positivamente escaldantes, escondem um problema que surge como consequência: o que fazer com tantos cocos que são descartados todos os dias? Vale lembrar que cada um deles pesa, em média, 2,5kg e 80% desse total é descartado como lixo, demorando em média 8 anos para se decompor.

Diante disso, um grupo de alunos aceitou o desafio de propor alternativas inteligentes e sustentáveis para reaproveitar esse tipo de resíduo sólido. O resultado do estudo foi o artigo “Alternativas de reuso e reciclagem de fibra de coco como estratégia de gestão ambiental dos resíduos sólidos da Cocoicultura e Agroindústria”, apresentado no I Congresso Internacional de Meio Ambiente e Sociedade (Campina Grande – PB).

No estudo, os alunos Aparecido Tiago Leite Andrade, José Pereira da Silva Filho e Editone Freitas de Morais, do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental do IFRN, Campus Natal – Zona Leste, propõem a reutilização da fibra do coco na agricultura, na produção de filmes termoplásticos, na área industrial e na construção civil.

Fibra de coco na construção civil

Na construção civil, uma das alternativas é atrelar a fibra do coco ao gesso para formar um novo material, ideal para isolamento acústico e térmico. Além disso, a fibra do coco aumenta a espessura do gesso, sendo indicado assim para a produção de materiais de vedação e revestimentos leves.

A fibra do coco também pode ser utilizada no incremento de compósitos cimentícios, que são a base para a produção de tijolos, pisos e revestimentos. Ela melhora significativamente algumas propriedades físicas e mecânicas desses produtos utilizados em larga escala na construção civil. É importante ressaltar que o material desenvolvido tem um desempenho termoacústico 20% maior do que o compósito sem a fibra de coco, com elevada resistência e durabilidade.

Para Tiago Andrade, a melhor forma de conscientizar as pessoas sobre a importância da reciclagem é agregar valor ao que as pessoas entendem como lixo. “Eu produzo e meu rejeito e eu mesmo reuso ou reciclo. Essa é uma forma de atingir um maior controle ambiental, trazendo o empresariado para a reflexão sobre o cuidado com o meio ambiente”, finaliza.

Reportagem: Laurence Campos / Evandro Ferreira

Portal IFRN

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